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Pesquisas online mostram perfil da anosmia súbita no Brasil durante pandemia do COVID-19

Em 22 de março de 2020, a Academia Brasileira de Rinologia (ABR) e a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) divulgaram a 4ª Nota de Orientação aos Médicos Otorrinolaringologistas em relação à Doença Causada pelo Novo Coronavírus (COVID-19) que versou, dentre outros assuntos, sobre a anosmia súbita nos pacientes com COVID-19. A ABR e ABORL-CCF orientaram que a anosmia súbita (com ou sem ageusia e sem obstrução nasal concomitante) talvez pudesse sugerir a infecção pelo vírus SARS-CoV-2.

Devido aos inúmeros relatos entre médicos otorrinolaringologistas sobre pacientes com anosmia súbita neste período, a Comissão Científica da ABR e a Diretoria Executiva da ABORL-CCF elaboraram um questionário online para preenchimento por parte dos médicos no Brasil com dados de seus pacientes com anosmia súbita, de modo a contribuir com o aumento do conhecimento sobre esta nova doença. 

Até o dia 06 de abril de 2020, os médicos brasileiros incluíram dados de 123 pacientes com anosmia súbita. Seguem os resultados preliminares até esta data:

A maioria dos pacientes apresentou anosmia aguda (85,4%), com predomínio feminino (61%) e variação de idades entre 17 e 66 anos (média 36,8 e DP 11 anos).

Quanto à conduta instituída, a maioria dos pacientes foi orientada a aguardar sem medicação inicial (43,9%). Mas lavagens nasais com soro fisiológico (33,3%) e corticosteroide tópico nasal (14,6%) foram os tratamentos mais realizados. Quase metade dos pacientes apresentou melhora (19,5% melhora total e 30,1% melhora parcial da hipo/anosmia). Cerca de 20% dos pacientes não apresentou melhora, mas nenhum piorou. Em 30,1% dos casos, ainda não há resultado final do tratamento.

Devido às indicações restritas de testagem para COVID-19, a maioria dos pacientes com alteração aguda do olfato não foi testada (60,2%). Dentre os 39,8% testados, a maioria apresentou confirmação da doença (84,8%).

Paralelamente à pesquisa para médicos realizada pela ABR/ABORL-CCF, um grupo de médicos otorrinolaringologistas do Rio de Janeiro promoveu uma pesquisa online voltada para os pacientes com anosmia, e conseguiram 501 respostas até o dia 06 de abril de 2020, com padrões parecidos aos resultados da ABR/ABORL-CCF, corroborando, de certo modo, o perfil dos pacientes com anosmia súbita no Brasil neste período de pandemia de COVID-19.

A maioria dos pacientes era do Rio de Janeiro (67,8%) e São Paulo (16,6%). A anosmia foi o padrão mais encontrado (79%), semelhante ao encontrado na pesquisa para médicos da ABR/ABORL-CCF. Os sintomas concomitantes mais relatados pelos pacientes foram tosse (58,5%), obstrução nasal (47%), febre (43,4%), rinorreia (36%) e diarreia (32,6%). Interessante notar que tosse e febre foram sintomas frequentes em ambas as pesquisas. Nesta pesquisa, dentre os pacientes com obstrução nasal além da anosmia, a maioria (64%) referiu que os sintomas eram independentes, não ocorrendo concomitantemente. Nesta pesquisa respondida pelos pacientes, apenas 20,4% realizaram o teste para confirmação do COVID-19, sendo que a maioria dos testados confirmou a doença (90,2%).

Manteremos os associados informados periodicamente sobre os resultados destas pesquisas. Agradecemos aos médicos otorrinolaringologistas que gentilmente participaram da pesquisa e entraremos em contato posteriormente para continuidade. Agradecemos também aos pacientes que gentilmente contribuíram para o aumento do conhecimento sobre esta nova doença.

Clique aqui para participar da pesquisa direcionada aos médicos, de responsabilidade da Comissão Científica da ABR e Diretoria Executiva da ABORL-CCF.

Acesse aqui a pesquisa direcionada aos pacientes, de responsabilidade de Dr.ª Bruna Melo, Dr.ª Priscilla Campos, Dr.ª Luciane Mello, Dr.ª Lucia Joffily, Dr. Aluan Ungierowicz, Dr.ª Andrea Goldwasser e Dr. César Terra Brito. 

DIRETORIA EXECUTIVA ABORL-CCF 2020

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